Intercâmbio Acadêmico – Série Tipos de Intercâmbio

Essa é uma série de posts que trata dos diferentes tipos de intercâmbio. Hoje falaremos do intercâmbio acadêmico.

Você já se imaginou estudando em universidades como Harvard, Oxford, MIT, Cambridge ou Stanford?

Fazer uma graduação, pós, mestrado ou doutorado no exterior deixou de ser um sonho e passou a ser realidade para muitos. O número de brasileiros estudando em universidades americanas, por exemplo, aumentou em 65% entre 2011 e 2016.

A redução da qualidade do ensino no Brasil, a busca por se diferenciar no mercado e as crescentes oportunidades de bolsas de estudo contribuem para que esse interesse só aumente.

Estudar no Exterior

E se engana quem acha que estudar no exterior é só para quem tem muito dinheiro.

A maioria das universidades da Alemanha, França e Portugal, por exemplo, são públicas ou subsidiadas pelo governo. E você só precisa pagar uma pequena taxa semestral.

Sem contar a infinidade de programas de bolsa de estudos, como o Ciência sem Fronteiras, do governo federal, que já levou mais de 92 mil estudantes para o exterior desde 2011 (eu fui um deles).

Essencialmente, os intercâmbios acadêmicos podem ser divididos em dois grandes grupos:

  • tipo Sanduíche (duplo diploma): você realiza uma parte da graduação, mestrado ou doutorado no exterior e retorna para finalizar o curso na universidade do Brasil;
  • tipo Integral: você realiza o curso inteiramente no exterior, sem nenhum vínculo com alguma universidade brasileira.

Um outro tipo de intercâmbio acadêmico é a realização de estágio no exterior. Você encontra informações mais detalhadas sobre estágio clicando aqui.

Graduação/Mestrado/Doutorado Sanduíche (Duplo Diploma)

Não, não é de comer!

A graduação (ou mestrado, ou doutorado) sanduíche é um tipo de curso no qual você realiza um intercâmbio de um ou dois semestres em alguma universidade estrangeira e depois retorna ao Brasil para finalizar os estudos e se formar.

Geralmente, as matérias feitas pelo estudante na universidade no exterior valerão para o curso dele aqui no Brasil. Principalmente quando as universidades são conveniadas.

A grande vantagem desse tipo de intercâmbio é que, na maioria das vezes, você recebe duplo diploma. Ou seja: um certificado validado por ambas as universidades.

A maior parte desses convênios são arranjados pelas próprias universidades, para que fique mais fácil a validação das matérias e a garantia da qualidade do ensino. Esses convênios também possibilitam bolsas de estudo, que garantem o foco dos alunos nos estudos, não precisando se preocuparem em arranjar um emprego para pagar as despesas.

Mas nada te impede de conseguir um intercâmbio acadêmico de forma independente, com outra universidade que não seja conveniada com a sua no Brasil. Vai ser mais trabalhoso, mas se você acha que aquele curso naquela outra universidade vale mais a pena, por que não entrar em contato com ela e verificar a possibilidade? Quem sabe você até abre o caminho para um futuro convênio entre a sua universidade e a universidade estrangeira…

As graduações e mestrados sanduíche são muito comuns na Europa, onde já é previsto no calendário acadêmico esse intercâmbio de estudantes entre as universidades, principalmente nas universidades da França e Alemanha. Fantástico, não acha?

Graduação fora do Brasil (Integral)

Você pode também querer fazer uma graduação completa fora do Brasil, sem vínculo com nenhuma universidade brasileira. Saiba então que o caminho para entrar na universidade é bem diferente do nosso aqui.

Primeiramente, você não vai precisar fazer ENEM ou qualquer prova no estilo vestibular. A maioria dos processos seletivos de estrangeiros nas universidades lá fora levam em conta o seu histórico do ensino médio, teste de proficiência na língua (como TOEFL ou IELTS, para o inglês), carta de motivação e entrevista.

Os processos variam entre os países e de universidade para universidade. O importante é ficar ligado e se preparar com antecedência para não ser pego de surpresa.

Vale lembrar que algumas universidades portuguesas já começaram a aceitar a nota do ENEM para ingresso na graduação.

O custo para estudar em universidades americanas ou britânicas não é dos mais baratos, podendo ultrapassar, facilmente, os 100 mil reais anuais. Sem contar o custo de vida no país.

Muitas universidades têm programas de bolsas de estudo para estrangeiros, apesar da maioria delas serem voltadas para estudantes locais. Outra opção é procurar ofertas de bolsas com instituições relacionadas à educação como o DAAD (Alemanha).

Pós-Graduação, Mestrado e Doutorado no Exterior

Para quem já graduou, as opções de intercâmbio acadêmico são maiores ainda. As universidades estrangeiras oferecem diversos programas de Master (mestrado), nas mais diferentes especializações.

Vale lembrar aqui que os programas de Master nas universidades estrangeiras não ficam restritos à pesquisa como a maioria dos mestrados no Brasil, mas isso fica para um próximo post.

Os processos de seleção, mais uma vez, variam entre países e entre universidades. Mas, em geral, você não vai deixar de ter seu histórico da graduação analisado, vai precisar de um determinado nível de proficiência no idioma e vai passar por uma entrevista com alguém da universidade.

As oportunidades de bolsa de estudo são gigantescas e diversos países como Austrália, Reino Unido, França, Nova Zelândia possuem grandes programas de internacionalização do ensino (ligados ou não ao governo).

Só o programa Chevening já ofereceu mais de 48 mil bolsas para pós-graduação no Reino Unido!

Tá certo! E como eu começo?

O primeiro passo é saber o que você quer. Qual é a sua intenção em fazer um intercâmbio acadêmico no exterior? Você realmente tem um objetivo ou quer ir simplesmente por que está vendo muitos amigos indo estudar fora? Essas são perguntas fundamentais para quem quer fazer um intercâmbio.

Segundo: faça um plano de ação! Coloque no papel quais são suas áreas de interesse, quais matérias gostaria de fazer lá fora, por quanto tempo e qual impacto você quer gerar com esse intercâmbio.

Em seguida, avalie suas opções. Busque as universidades que oferecem o que você está buscando. Escolha um país que te agrade. Analise seu orçamento e as oportunidades de bolsa de estudo na sua área.

Alinhe suas expectativas, com seu objetivo e os meios disponíveis para você no momento. Tente abrir sua mente para países que você nunca pensou em estudar (já imaginou estudar na China, por exemplo?). Converse com amigos e conhecidos. Pesquise bastante!

 

E aí, sonha em fazer um intercâmbio durante a universidade? Me conta nos comentários aqui abaixo! 🙂